A Mangueira do Amanhã é a agremiação mirim que prepara os futuros sambistas da tradicional escola do Mestre Cartola. Os pequenos seguem uma rotina de ensaios com todo o rigor que a preparação para brilhar na avenida exige, e nós conversamos um pouco com a mãe de um dos caçulas que debutou no Carnaval este ano.
O curioso é que o León é um menino que não é da Mangueira, ele mora na Zona Sul e vem de uma família de classe média. A mãe é produtora, e o pai cineasta. Por conta de um projeto de documentário realizado no morro, a família passou a frequentar a comunidade, estabeleceu laços de amizade e foi se tornando pouco a pouco mangueirense de coração.
É interessante ouvir uma mãe do asfalto dizer que acha legal que o filho frequente o morro, entre nas casas, brinque com as crianças. Não deixa de ser uma forma de criar aproximações entre universos distantes, e que compõem a nossa cidade partida.
Em 2009 foi todo mundo assistir ao desfile, junto com a babá do León e sua família. Poder fazer um programa com a família da babá também é genial. Porque a babá é essa pessoa que às vezes passa mais tempo com o filho do que os próprios pais, mas que também tem a família dela, e os filhos dela, e uma vida que muitas vezes se desconhece. Coisas pra gente pensar em outro post.
Diante do encantamento carnavalesco, a mãe arriscou:
“Meu filho, você quer desfilar?”
“Quero. Na bateria.”
Iniciou-se um périplo para garantir a participação do León no desfile em 2011, e a mãe-produtora, guerreira, foi vencendo todas as barreiras.
Como o León é muito pequeno, foi meio difícil pra ele suportar o som ensurdecedor da bateria, e a mãe colocou tampões, daqueles que a gente ganha no avião, pra proteger um pouco o ouvido do filhote. Os meninos em volta acharam graça, aquele menininho branco, de fora, com tampão no ouvido. Mas que bate o tamborim direitinho, no ritmo. No samba, todo mundo é igual e o Léon foi totalmente adotado pelo grupo.
Diante da demora para entrada da Escola León pergunta: “Já é a hora da minha Mangueira?”
A mãe resume o sentimento: “O coraçao dele foi tocado, ele virou mangueirense.”






Amei este post!!! Que história boa de conhecer!!!
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